Epifânio"iaí"

domingo, 19 de agosto de 2018

A razão acaba? Ela serve ao cristão?


A razão acaba? Ela serve ao cristão?

Nesta sexta-feira, 17 de agosto de 2018, estava dando aula para uma 3ª série do ensino médio, a aula era sobre a “Justa desigualdade para Platão”[1], faz parte do currículo do estado de São Paulo esse conteúdo, logo não era minha a intenção, mas o como ensinar a respeito eu sou o autor sem dúvida.
Para entender o que significa isso é preciso entender que Platão, pensa a pólis como a anima ou alma do ser humano. Quer dizer que Platão divide a cidade em três partes, como ele fez com a alma, da seguinte maneira:
- A alma está dividida em parte concupiscente, aquela que é responsável pelas nossas necessidades básicas, fome, sono, sede, reprodução, além do ser humano todo ser vivo a tem.
- Outra é parte iracivel, é a parte responsável pela sobrevivência frente aos perigos, os seres vivos também tem essa parte para sua proteção, uma cascavel não faz ataques gratuitos, mas sim apenas na intenção de se proteger.
- Finalmente a outra parte da alma é a alma racional, responsável pelo controle das outras duas e organiza nossas ações e reações, por exemplo nos ajudando na hora que sentimos vontade de usar o banheiro, não o fazemos em qualquer lugar, mas procuramos um lugar apropriado, não saímos por ai atacando as pessoas, mas acabamos usando a agressividade em nossa defesa – mesmo que alguns usem ajam erradamente e usam a força para reprimir e violentar o outro em sua dignidade.
Dito isso para meu alunos, surge uma pergunta: “Professor, a razão pode acabar?” Parei por um instante, percebi a honestidade da pergunta e respondi:
 - ‘Não, a razão não pode nem nunca vai acabar, mas há um problema, trocarmos quem deve controlar. A razão pode sair do controle por uma doença, o caso da depressão, da síndrome do pânico. Momentaneamente perdemos o controle da razão e se fosse Freud, diria que seu superego (sua consciência repressora) assumiu o controle.
No entanto, se é uma doença relevamos, mas nosso problema ainda pode ser maior. Voluntariamente se pode entregar o controle da razão aos seus desejos e instintos. Atualmente – disse eu – ou talvez sempre, as pessoas tem entregado o controle de suas ações aos seus instintos. Você pergunta a alguém “por que fez isso?”, ela responde que fez porque teve vontade, não pensou nas consequências, ou seja, não fez uso da razão.
Pegaram a razão, jogaram para debaixo do tapete, sobre esse tapete puseram um armário bem pesado para a razão não sair dali. É como eu me sinto diante das pessoas. Sinto dor, angustia, sofrimento em vez que uma coisa tão simples como o uso da razão e rejeitada em vista de fazer “minha vontade”.
Se fosse Freud, ele diria que é o id (sua consciência volitiva) quem controla a mente dos homens hoje, tudo parece ser uma questão de “suprir uma necessidade” que na verdade não existe.’
Houve um silêncio enquanto e depois de ter dito isso, vi algumas reações de concordância com a cabeça, percebi que essa “pedrada” havia acertado a janela, ainda não sei, mas minha esperança é que tenha quebrado o vidro e acertado o espelho dentro da casa.

A razão e o cristão
A aula acabou, mas aquilo que eu havia dito para eles voltou-se para mim com uma pergunta “e o cristão, onde cabe isso na vida cristã?” Logo me lembrei de Paulo dizendo em Romanos sobre “culto racional”, diz o texto “Portanto, irmãos, rogo-lhes pelas misericórdias de Deus que se ofereçam em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus; este é o culto racional de vocês”[2]. Me perguntei novamente: “Quantas vezes uso a razão para prestar culto a Deus?”
Quero que você saiba que não é um gnosticismo, não significa que ter conhecimento ou currículo acadêmico é ser salvo ou glorificar a Deus. Não é isso, a pergunta que me fiz e que te faço é: Quantas vezes eu estou racionalmente consciente da minha prática cristã? Outra pergunta seria: “Quantas vezes não estou agindo mecanicamente, sem sequer pensar nas minhas ações? Quantas vezes a fé cristã é controlada pelas necessidades básicas ou pela autoproteção? E eu creio que nenhuma dessas duas seja saudável.
Sem dúvida que nossa razão não é auto suficiente, não acredito nisso, pois, como herdeiros do pecado de Adão estamos sujeitos a uma mente limitada, incapaz de compreender as maravilhas de Deus, bem como os malefícios do pecado sobre nós. A própria queda de Adão e Eva foi a superação do controle racional pela vontade (parte concupiscente, id), além de querer vencer o que julgou repressor (outo proteção, superego), colando de lado a sua razão que conscientemente sabia que não deveria comer o fruto, pois os mataria[3].
Depois da queda, a razão humana fica enuviada pelo pecado, que agora o impede de ver claramente, tal qual a neblina numa manhã de inverno ou a noite sem luar, somos tomados agora por instintos que nos levam ao descontrole, ao desequilíbrio, a irracionalidade. Quando os homens decidem fazer só o que lhes dá vontade, o outro sofrerá as consequências.
Não me lembro com exatidão, mas me lembro de Rousseau, querendo falar sobre a formação da sociedade e das leis, ele afirma que ser guiado pelos instintos não é liberdade, é escravidão, a verdadeira liberdade está em criar leis pelo uso da razão e as obedecer, já que ao cria-las decidimos por elas não mais por instinto[4].
Rousseau não é cristão nem estava pensando nisso quando escreveu essa ideia, contudo, pensando sobre o “culto racional” me recordo disso e não é possível não liga-la a fé cristã, Paulo nos lembra que antes de Cristo éramos escravos pecado (romanos 6) e que agora por meio do sacrifício de Cristo devemos obedecer a Deus, nos submetendo as Suas leis.
Voltando a Platão, seria dizer que nossa parte racional estava aprisionada por causa do pecado e que agora em Cristo ela é livre para controlar as outras duas, o versículo seguinte ao citado no inicio dessa seção diz Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus[5].
O culto racional exige uma mudança de mente, ou seja, não mais obedecer a parte concupiscente ou iracivel de nossa alma, mas obedecer a nossa parte racional, liberta por Cristo, para a obediência a Deus e suas leis.
Me recordo do livro de John Sttot, Crer é também pensar[6], e penso como podemos não saber porque temos fé em Cristo. Como podemos dizer que somos cristãos quando nossa ação não reflete a Cristo, e digo isso como uma reflexão pessoal, pensando em todas as vezes que não agi como deveria fazer, simplesmente por que quis fazer do meu jeito, sem pensar.
Mudança de mente, mudança de atitudes a conta e resultado são esses. Não podemos colocar nossa razão embaixo do tapete, ser cristão é algo que se faz com a razão, não por Espirito Santo, o Espirito não é guia de “cristão instintivo”, Ele guia cristão que é controlado por sua razão.
Seja você um não cristãos, essas ideias também se aplicam a você, concorde ou não, você foi feito a imagem Dele, a morte de Cristo na cruz também foi para que você, crendo, seja salvo, volta de Jesus descrita em Apocalipse também vai envolver a sua presença. Talvez você olhe e não veja razões que agradem a você, já que irão sim, limitar você, mas esse limite vai colocar você em um equilíbrio racional, você não seja mais controlado (ou descontrolado) pelos seus desejos e instintos. Seguir a Cristo é uma escolha que passa sem dúvida pelo crivo da razão. De ao menos o beneficio da dúvida.




[1] Platão desenvolve esse tema em seu livro A República
[2] Romanos 12:1
[3] Gênesis 3
[4] Pesquisando relembrei que esta ideia é apresentada por Rousseau no Do Contrato Social, de sua autoria.
[5] Romanos 12:2
[6] STOTT, John R. W. Crer é também Pensar. Editora Ultimato. 1ªEdição, 2012



Leia também outras reflexões que envolvem a vida cristã
- Reflexões de um professor sobre o papel de ser professor
- Ser professor é obedecer ao segundo mandamento
Outras reflexões
- Pensamento e Ação

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Ser professor é obedecer ao segundo mandamento



Ser professor é obedecer ao segundo mandamento

No Brasil, cada vez mais tem se tornado difícil ser professor. Na maior parte do país, a estrutura ou qualidade do ambiente do trabalho tem piorado. Não tem havido condições suficientes para o exercício pleno do magistério. É certo que há sim locais em que os professores tem excelentes condições, e talvez nesses lugares ser professor é um fardo menos pesado e não diminui a maravilha que é ser professor.
Não quero, também, com esse texto fazer uma ode ao sofrimento do trabalho do professor, romantizando e glamurizando o trabalho em locais difíceis. Mesmo que para expor minhas ideias eu use exemplos desses locais difíceis. Seja onde for, o trabalho do professor é obedecer ao segundo mandamento.
Quando digo segundo mandamento estou me referindo ao texto bíblico que relata o diálogo de Jesus com os fariseus[1]. Nessa conversa Jesus é questionado sobre qual seria e o maior mandamento da Lei, Jesus responde que o maior mandamento é amar a Deus de todo o coração, alma e entendimento, em seguida emenda que o segundo mandamento é “ame a seu próximo a si mesmo”.
Oras, o que significa isso então na vida do professor? Primeiro quero que você pare por um instante e pense: “eu me amo?”, “possuo amor próprio?”. A primeira coisa para que eu seja capaz de amar a outro é amar a mim mesmo, não no sentido egoísta e individualista, mas enquanto cuidado de mim. Só podemos dar aquilo que possuímos, como dizia um estória que li, “a xicara sacudida só derrama o que tem dentro dela, se for café, derrama café, se for chá derrama chá”. Sendo bíblico, “a boca fala do que o coração está cheio[2]”, logo, a pergunta é: Seu coração está cheio de que? Será isso que você transbordará e derramará.
Segundo, quem é meu próximo? Em se tratando do professor, seu próximo são as pessoas com quem você trabalha, ou seja, seus colegas de trabalho, mas principalmente o aluno. O professor de educação infantil e anos iniciais do fundamental, passam em média 25h com seus alunos em sala, os professores do ensino fundamental e médio passam de 2 a 64h/aula (no caso de ser da rede publica estadual, a lei permite 64h/aula para os que tem acumulo de cargo na educação).
No entanto, independente do numero de horas que um professor passa dentro de sala, ser professor é obedecer ao segundo mandamento. Pense comigo, o professor é alguém que dedicou alguns anos, 3 ou 4 anos, estudando exclusivamente o conteúdo de sua disciplina, estagiou, entrou na sala “cru”, faz capacitações, buscou especializar-se, lê, estuda, gasta tempo em sua casa preparando aula. Isso tudo para quem? Para o seu aluno, seu próximo. Ter em mente isso, faz do trabalho do professor, especialmente do cristão, obediência a Deus e ao seu mandamento.
Lecionar é, ao meu ver, a segunda maneira de expressar o amor no seu sentido ágape[3], ou seja, um amor incondicional. Quero dizer que o professor não coloca condições para realizar o seu trabalho, ele prepara a aula para todos seus alunos. Para os que ele sabe que tem interesse, os que se interessam pouco e os que não apresentam interesse também estão em mente quando o professor prepara sua aula. Esses últimos acabam sendo os que mais dominam os pensamentos do professor que se questiona: “o que posso fazer para ele se interessar?”.
Nesse ponto ele é expressão do mandamento, pois, amar o próximo no mandamento denota a ação de amar a todos. Vejamos, amar os que te amam, que não exige nada de você e é fácil, basta corresponder o amor que você recebe. Amar quem não te ama, o que também não é difícil, mesmo que seja frustrante não ter seu amor correspondido. Outro é amar quem é desconhecido, o que também não é difícil, haja vista que você não conhece as falhas do outro. E aquilo que caracteriza como incondicional, amar aquele que não gosta de você. Esse é o público que todo professor tem diante de si.
Ser professor não é dar aulas apenas para ouvintes atentos e cheios de curiosidade pelo conteúdo que você tem para compartilhar. Aí está outra característica do trabalho de professor que o coloca como obediente ao segundo mandamento, você compartilha o que você tem, no caso, seu conhecimento.
Na maioria das vezes você se depara com um publico pouco ou nada receptivo ao que você tem a dizer, tendo que conquistar a atenção dos seus ouvintes. Pode ser em minutos, logo que começa a falar e se apresentar. Podem demorar algumas aulas, e tristemente, devo admitir, pode ser que nunca aconteça. Mesmo assim o professor está ali para obedecer ao mandamento de amar ao próximo como ele se ama. Dar o mesmo tipo de atenção e valor que dá para si mesmo. Cuidar como cuida de si, zelar como zela por si, nutrir como se nutri, compartilhar o que lhe foi partilhado.
Já parou para pensar naqueles professores que lecionam embaixo de árvores, em prédios de taipa, em barracões. Professores que caminham, nadam, remam, pedalam horas, quilômetros para chegar no seu local de trabalho e lecionar, aqueles que trabalham em zonas de conflito armado. O que os faz ir para o trabalho senão o amor pelos que faz e pelos seus alunos? Não é uma questão financeira, não é status social, nem reconhecimento. No caso do Brasil e em outros países, os professores da educação básica (publica) são mal remunerados. No Brasil não é status ser professor, muitas famílias não incentivam e até se opõem quando o filho opta por ser professor. Consequentemente não haverá reconhecimento do poder publico, dos pais, dos alunos e de muitos pares que compartilham com o professor o trabalho.
Apesar de toda dificuldade, inclusive apesar das facilidades (que podem levar a acomodação), ser professor é obedecer ao segundo mandamento. Ser professor é amar ao próximo como a si mesmo. É semelhante ao amor de Jesus por sua Igreja. É sacrificial, é incondicional, é altruístico, é ágape.
Alguém deve pensar, nem todo professor é assim. Minha resposta é sim, verdade nem todos são assim, uns não reconhecem assim sua profissão, outros não amam mesmo, outros é como se fosse um “bico”, temporário até outro trabalho melhor. Mas lembre-se, estou falando do PROFESSOR, esse que citei antes são na verdade profissionais da educação, um profissional da educação não é professor, nem nunca será enquanto não amar o que e a quem faz. Eles precisam mesmo é de ajuda, para não tratar seus alunos como coisas inanimadas e passivas, invés de trata-los como pessoas.
Hoje sou coordenador de uma escola, observo que meu trabalho deve seguir a mesma lógica, a de amar meu próximo, expandindo a noção de “próximo” para além dos meus alunos, para com os professores e pais de alunos da escola na qual atuo como Professor Coordenador Pedagógico. Percebo algo ainda mais profundo, a afirmação de que “quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus”[4].
Como é bom poder obedecer a Deus em muitos aspectos com meu trabalho, espero que você possa perceber quão precioso é o trabalho do professor, quem sabe o seu trabalho, seja você leitor um professor ou não. Se você nunca parou para pensar nisso que acabou de ler, deixa eu te contar: em 10 anos como professor eu nunca pensei assim, tive de completar esse tempo de magistério, passar por algumas situações e só dai me tocar dessa maravilha.
Apesar de toda dificuldade na tarefa de ser professor não se esqueça: SER PROFESSOR É OBEDECER AO SEGUNDO MANDAMENTO, AMAR AO PRÓXIMO COMO A MIM MESMO. Só que não deixe de amar-se. Encha-se daquilo que deseja transbordar.

 Leia também Pensamento e Ação e conheça mais das ideias sobre educação e vida.




[1] Mateus 22:34-40 e Marcos 12:28-34
[2] Mateus 12:24
[3] No grego temos pelo menos quatro tipo de palavras para descrever amor: eros, philia, storge e ágape. https://en.wikipedia.org/wiki/The_Four_Loves
[4] 1 Coríntios 10:31

sábado, 4 de agosto de 2018

Pensamento e ação


Pensamento e Ação*

Quando olhamos para a história da humanidade vemos muitos eventos maravilhosos e outros nem tanto, outros ainda que, se possível, apagaríamos dela. Contudo, há uma característica do ser humano que sempre parece estar presente, seja nos bons ou maus momentos da nossa história, a nossa vontade de controlar, isso mesmo, controlar, mas o que significa isso?
Significa que tentamos controlar a porção de tempo, criando uma unidade de medida para ele, criando o próprio “tempo”. Criando medidas para mensurar espaços, pesos, quantidade. Coisas muito boas e que sem as quais quem sabe não teríamos cegado até aqui. Tal controle não é real, ele existe apenas na mentalidade do ser humano que o criou, são conceitos. Talvez você se pergunte, então não controlamos nada? A resposta é não, há duas coisas que somos capazes de ter controle, sobre aquilo que pensamos, bem como sobre aquilo que fazemos.
O conteúdo do nosso pensamento é nossa responsabilidade, ninguém pode pensar por nós ou em nosso lugar, por exemplo, não se pode permitir que alguém defina que você gosta disso ou daquilo sem que se reflita sobre isso, isso cabe a você. Um dos problemas da depressão, quem sabe dos maiores, senão o maior mal que o ser humano luta contra hoje, está ai, no pensamento, a pessoa deprimida não consegue sair de um padrão de pensamento que chamamos de pessimista, ela não vê “cor”, não vê beleza, sozinha ela não consegue escapar disso. Afirmo até que a depressão seria um descontrole do nosso pensamento, e pode ser causada por uma infinidade de situações. Mesmo que aconselhemos, não podemos pensar sobre o que os outros estão pensado.
Você já deve ter ouvido alguém te ofender com palavras que ficaram na sua mente por muito tempo, sabe por que? Porque você as pensou de novo, de novo, de novo, o ofensor não estava do seu lado repetindo as ofensas, era você as trazendo a mente e remoendo. “Você não presta”; “É um mal profissional”; “Ninguém gosta de você”. Isso é ruim não é? Mas lembre-se, esse controle é seu.
Outro objeto de nosso controle são nossas ações, aquilo que fazemos. Não podemos esperar que alguém faça algo por nós, como escovar nossos dentes, ir ao banheiro, se casar, comer ou dormir em nosso lugar, impossível. Há coisas que alguém pode fazer por nós, como abrir uma porta ou puxar a cadeira, mas somos nós os responsáveis por toda e qualquer ação que realizamos. Não dá pra dizer “fiz porque ele falou” e ser eximido da responsabilidade, afinal, fazer o que lhe foi dito foi decisão sua.
Pensamento e Ação caminham juntos, quase siameses, mesmo que alguns negligenciem um ou outro, eles estão lá, já parou para pensar sobre o que tem pensado? Seus pensamentos têm influenciado em suas ações? De forma positiva ou negativa? Está presumindo o pensamento dos outros? E sobre as ações: o que você tem feito, tem agido como em seus pensamentos? Tem agido como no pensamento dos outros?
Não é possível saber o que o outro está pensando, mas suas ações podem causar pensamentos nos outros, e para isso é preciso empatia, colocar-se no lugar do outro, o bom e velho recado da mãe: “faça para os outros aquilo que você gostaria que fizessem para você”.
Todo verbo é uma ação, ações demandam de decisão, decisão precisa de pensamento. É um circulo virtuoso quando aquilo que pensamos é sobre coisas boas ou positivas, se forem pensamentos negativos ou depreciativos, na verdade será como uma bola de neve que no final vai se espatifar, causando destruição de onde se chocar e de si mesmo.

Pense nisso, aja nisso. Lembre-se, você só pode controlar os seus pensamentos e as suas ações, tentar controlar o incontrolável pode nos levar a frustração.



*Esse testo foi originalmente escrito para o primeiro dia da reunião de Replanejamento, que aconteceu nos dias 30 e 31 de julho de 2018 na Escola Estadual E.E. Antonio Apparecido Falcão na D.E. da Região de Pindamonhangaba, escola na qual estou até o presente deste publicação como Professor Coordenador Pedagógico.

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Apocalipse Zumbi?


Nos últimos dias temos vivido uma situação, que eu pelo menos, não imaginava que aconteceria. Uma greve que de fato parou o país. Gostaria de refletir alguns pontos que acredito serem relevantes. Quero pensar as possíveis causas, o desdobramento e refletir sobre nosso comportamento diante dessa situação, além de projetar no plano da reflexão política os eventos.
Primeiro, as causas. Caminhoneiros decidiram se organizar e parar, devido a constante alto no valor do combustível, o que os afeta diretamente e os prejudica, tendo em vista que crescem os gastos, mas não os ganhos. Essa parece ser a causa que mais relevante e não falar nenhuma outra possível para não incorrer em erro.
No desdobramento disso tudo o que vimos foi o desabastecimento de inúmeros setores da economia, especialmente os combustíveis e que por consequência afetaram os demais, tendo em vista que muitos produtos, insumos e serviços dependem de combustíveis derivados de petróleo para acontecerem, serem entregues ou realizados. Desse modo, afetou postos, mercados, escolas, transportes e serviços públicos, turismo, enfim, inúmeros.
Aulas foram suspensas, bem como a rede de transporte público total ou parcialmente, mercados elevaram o valor de seus produtos e postos dobraram ou quadruplicaram o valor do combustível vendido, esses últimos demonstrando quão vilipendiosas podem ser as pessoas, oportunistas e egoitas. Retomaremos esse ponto.
Pude ver nas manifestações nas redes sociais, afeto, interesse de mudança e avanço, mas também vi ignorância e visão reduzida da situação por parte de alguns. Comportamos-nos bem, as manifestações parecem ter sido pacificas, sem quebradeira nem enfrentamentos, uma solidariedade com os manifestantes, encaminhando a eles alimentos e outros recursos que eles necessitavam. Pude também perceber a indignação, o que é bom, das pessoas frente nossa economia e corrupção que parece sem fim no país.
Vi abutres, como escreveu meu amigo Augusto em seu blog, de todos os tipos, tão corruptos quanto os políticos, que subiram seus preços e extorquiram a população. O pior disso não são os aproveitadores, mas nossa incapacidade de agir diante do obvio. O que deveria ser feito diante das altas dos preços? O encalhamento desses produtos nas prateleiras, postos e distribuidoras de GLP. Não foi o que aconteceu, ganhou o nosso egoísmo, perdeu nosso senso crítico.
Vi pedirem intervenção militar. A meu ver, ignorância. Intervenção Militar? Não existe lógica, concordo em parte no que diz respeito a partidos de esquerda, penso que existem 2 partidos declaradamente de direita em suas diretrizes, os restante não é. Contudo, na democracia nascente no Brasil, é preciso aprender que a responsabilidade pela escolha dos representantes é do povo, não existe solução fácil e rápida, aprender a votar demanda tempo, e felizmente parece ter surgido essa consciência, mesmo que ainda enuviada, no povo brasileiro. Ela acerta quando diz que "poder emana do povo" e esse é o significado de DEMOCRACIA, não existe democracia na intervenção, não houve no período do regime, não haverá agora se acontecer. Assim como não há democracia na Venezuela, Cuba ou Coreia do Norte. A crítica a esses países é certa, mas erra-se quando se pretende a mesma solução aqui, com os militares. É como na infância, quando aprendemos a andar caímos, a pedalar sem rodinhas, caímos, ao crescer, erramos. Nossos erros e quedas servem para nós aprendermos, não para dizer que outro é que deve fazer por nós. Devemos ser responsáveis e assumir-nos como tal. Essa e a lógica da democracia. Outra coisa que revela é o tamanho da necessidade de consumo, e como o consumir e ter são mais importantes que qualquer coisa. Sabe aquela pessoa que passa necessidade e ganha o bolsa família, além de batalhar catando reciclagem e vendar a um preço ridículo de compra? Ela vive assim. Deve servir para empatia e olhar nosso estilo de vida, não é o fim, é passageiro. O desespero tomou conta, a falta de informação real, muito “disse que me disse” causado pelo mau uso das mídias sociais, me senti no filme “Mad Max”, por conta do desespero pelo combustível.
Espero sinceramente que tudo se resolva para o bem de toda população, que as pessoas de fato aprendam a votar, que se interessem mais pelo que de fato interessa.


terça-feira, 17 de abril de 2018

Filosofia e a pesquisa da reportagem da Folha de São Paulo


O Brasil realmente é um país hilário. Jornalistas formados por correspondência, que mancham o jornalismo de verdade feito no Brasil, e olha que atualmente é muito escasso.
Mais uma vez, na contra mão do resto do mundo, "pesquisadores" brasileiros chegaram a brilhante conclusão que Filosofia e Sociologia, por serem obrigatórias, atrapalharam alunos a aprender Matemática.
Eles são muito brilhantes e conseguiram refutar mais de 2.500 anos de História da Filosofia. Afinal, o matemático Tales de Mileto e Pitágoras, não eram antes de tudo os precursores da Filosofia. Platão não considerava a Matemática como o único nível abaixo da Filosofia, Aristóteles e a lógica também não tem nenhuma relação com o pensar matemático, os medievais então, construindo sistemas lógicos e modelos do cosmos. Quem dirá Descartes e Pascal, Leibniz, na modernidade, só para dizer dois, Frege e Wittgenstein, esse último um matemático que certamente emburreceu.
Enquanto Matthew Lippmann construía um sistema, um método para ensinar crianças a Filosofia, pois, como professor universitário viu seus alunos incapazes de pensar logicamente e construir argumentos consistentes, corroborado por uma pesquisa feita no Reino Unido, comparando crianças que aprenderam Filosofia e Matemática com crianças sem Filosofia e apenas Matemática, no qual as primeiras tiveram melhor resultado que as últimas, só no Brasil aconteceu o contrário, só aqui foi ruim para os alunos.
Quem dirá então sucesso da série "Merli", da Netflix, que retrata a em cada episódio a atuação de um professor de filosofia e ensina de verdade, sem diluição da disciplina, conceitos e ideias de filósofos e escolas filosóficas.
Não gosto de usar aquele discurso que parece sindical, mas não querem mesmo que se pense no Brasil. Ainda há uma mentalidade de formar gente que repita ações, sem pensar sobre elas. Gente que vive na obscuridade intelectual, a margem da razão, da discussão de ideias.
Tive a sorte de ter um pai que me instigou a curiosidade e um capital intelectual rejeitado por muitos. Apesar de não ter concluído o Ensino Fundamental, era curioso e leitor compulsivo, só o vi rejeitar a leitura uma vez, quando eu na universidade comprei um livro e ele tentou ler, depois de ler umas 50 páginas ele veio e me entregou dizendo que aquele ele não conseguiu entender, eu nem havia visto meu pai pegar o livro. Apesar disso, ele foi curioso.
Que importa? Os exímios pesquisadores resolveram uma questão muito difícil, e como disse, desconstruíram 2.500 anos de História.
O que me assusta é ver um suposto filósofo, Renato Janine Ribeiro, assinar o texto da reforma que tira a Filosofia do Ensino Médio, um sofista moderno que só lhe interessa o dinheiro? Que a história o diga.
Deixo aqui quatro links, os dois primeiros sobre pesquisas em relação à Filosofia, o terceiro um texto da ANPOF e por último uma pesquisa de opinião feita pelo Senado sobre a permanência da Filosofia e da Sociologia.


http://www.gazetadopovo.com.br/educacao/filosofia-ajuda-a-aprender-melhor-matematica-e-linguagens-diz-estudo-664gv9skcaqt1fhhlousa4mgq



https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2016/03/estudar-filosofia-faz-com-que-o-desempenho-escolar-das-criancas-melhore-sugere-pesquisa.html



http://www.anpof.org/portal/index.php/pt-BR/artigos-em-destaque/1576-pela-obrigatoriedade-das-disciplinas-de-filosofia-e-sociologia-no-ensino-medio



https://www12.senado.leg.br/ecidadania/visualizacaoideia?id=103041&voto=favor

domingo, 15 de outubro de 2017

Reflexões de um professor sobre o papel do professor!

  15 de outubro, dia que no Brasil comemoramos o Dia dos Professores. Já são dez anos nessa profissão que não é apenas minha ocupação, mas que me define. Quem sou e por que sou. São dez anos que leciono Filosofia para adolescentes, nesse tempo, alguns ombreiam comigo as fileiras escolares atualmente, outros são bancários, médicos, advogados, engenheiros, polícias, militares das forças armadas, metalúrgicos, comerciantes e comerciários, meus ex alunos estão em todas as áreas e lugares dentro e fora do país; outros infelizmente já morreram, outros presos por optarem uma vida de criminalidade mesmo depois de inúmeros conselhos.
  Este ano, que completo meu decálogo no magistério, paro para refletir e fazer um balanço de minha vida profissional, da minha postura como professor, nem sempre tão ilibada como eu gostaria, afinal, sempre falhamos e, sinceramente, como vejo hoje minha função, não é como a via no início, mesmo por que, hoje minhas lentes para a educação se dão por meio da minha fé em Cristo, é quero aqui me expressar levando em conta que sou um professor cristão. No mais, posso afirmar que a idade nos faz maduros de fato, dadas as raras exceções, o tempo é o melhor professor.
  Como eu já disse e é do conhecimento de todos os meus colegas e alunos que sou cristão, protestante, Anglicano, ativo em minha igreja local e, isso sem dúvida molda meu professorado como eu já escrevi. Há algum tempo eu escrevi que via a profissão de professor como a única que continha os cinco dons ou ministérios dados por Deus a Sua Igreja, quais sejam: apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres (Efésios 4:11). Desejo refletir com vocês esses pontos e o que representam pra mim como professor de modo geral, para aqueles que também não são cristãos e depois de como cristão percebo esses ministérios para o professor cristão.
-Mestres: começar pelo último é simples, pois é óbvia a missão do "mestre", disse óbvia, não bque seja fácil. Ser mestre é dedicar-se ao ensino, participar da formação acadêmica e formal de alguém, é ser o pedagogo, ou seja, o guia, mostrar caminhos a seguir, os prós e contras destes, permitindo que educando pense e escolha  o melhor caminho que ele pensar seguir. De outra sorte, seria terrível trilhar caminhos desconhecidos, mesmo que por vezes nos aventuramos a isso, nos custa tempo e energia empregados na "tentativa e erro" até o resultado satisfatório.
-Apóstolos: a palavra "apóstolo" significa "enviado". O professor é enviado à uma tarefa difícil, talvez a mais difícil, passar adiante o conhecimento adquirido ao longo da história da humanidade. No entanto, não só isso, o professor é enviado a formar pessoas, futuros pais e mães, líderes, governantes, cidadãos que tem como papel construir uma sociedade melhor que de seus antecessores. Ele é enviado a lugares as vezes esquecidos, a margem de outros, pessoas excluídas por alguma razão, para educar nas prisões de adolescentes e adultos. Enviado a ensinar em lugares as vezes sem prédio, onde o teto é a copa das árvores e, as paredes, os limites do horizonte que se enxerga. Longe o bastante de suas casas, com condições miseráveis em inúmeros casos. Desejamos ser enviados apenas aos mais belos lugares, mas que de árduo há nesse trabalho? Há valor nessa facilidade? Quem sabe, talvez não haja. Não em relação ao trabalho de ser professor, mas em desejar apenas o melhor lugar supostamente sem problemas.
-Profetas: o profeta era alguém incumbido com a missão de mostrar as falhas do povo e indicar-lhes o caminho para que invés de juízo e condenação, houvesse arrependimento e benção sobre determinado povo. O professor é aquele que tem a incumbência de alertar as gerações vindouras dos erros do passado e clamar para que tais caminhos não sejam novamente trilhados. Indicar possíveis melhores caminhos e estimular imaginar novas rotas. Pois no juízo de uma escolha ruim é tão inevitável quanto a benção da escolha bem feita.
  Como o profeta, ele não se cala diante das injustiças cometidas ou sofridas por seus concidadãos. Ele se posiciona a favor do bem de todos e não aceita o benefício próprio enquanto outros sofrem. Ele tira as pessoas da ignorância, leva-as a outro patamar, do conhecer para melhorar, mudando e vencendo.
-Evangelista: a palavra "evangelho" significa "boa notícia", "boa nova". O professor deve levar a boa nova do saber, do conhecimento, da alegria de não estar acorrentado a ignorância é a incapacidade de agir por não saber ou não conhecer, as vezes sequer se sabe estar na condição de escravidão, acorrentado a uma ideia não refletida, não estando ligado voluntariamente, após deliberação e racionalização de um saber, pois esse lhe foi relegado.
  Quão boa notícia poder pensar sobre uma questão que se apresenta e necessita de debate e apreciação racional! Que maravilhosa notícia poder pensar sobre o que ouviu e deliberar sobre concordar ou não com o opositor de suas ideias! Que boa nova poder dizer "eu penso quê"!
-Pastores: já parou para pensar no significado do pastorear? Ou no que faz o pastor? Certamente que algum mais exagerado dirá que prefiro ovelhas invés de alunos críticos, mas não. As ovelhas são animais frágeis, desatentos, medrosos, beiram ao que chamamos imbecilidade. Os jovens são do mesmo modo, eu já fui jovem e posso afirmar com segurança (sem dúvida), são frágeis e vulneráveis ao que lhe dizem, sem uma opinião bem fundamentada é formada, levado facilmente "na conversa". São desatentos, só olham para o que está diante deles, não olha o todo, nem o antes nem o por vir, são imediatistas e não pensam nas consequências. Medrosos e seu medo de mostra na suposta coragem que os lança a inconsequência e fazer coisas que não faríamos devido a maturidade conseguida pela idade, fazendo coisas que nos olhamos e pensamos "como pôde?". As várias idéias e "modas", tendências e "tribos" e sua incapacidade racional momentânea, deixa-os no meio de uma chuva de argumentos bons e ruins, mas eles acabam escolhendo os que lhes são mais agradáveis, nem sempre pelo uso da razão.
  Pastorear é se colocar no meio disso tudo é assim como o pastor protege, cuida, guarda e alimenta seu rebanho, o professor protege, cuida, guarda e alimenta o intelecto de seus alunos contra ideias desumanas, destrutivas ou autodestrutivas. Protege dos ideais de uma vida fácil por meio da criminalidade, protege de velhas ideias que reproduzidas impedem o pleno desenvolvimento e envolvimento na vida política e social de sua cidade e estado, do país. Alimenta com esperança o desejo de uma vida melhor.
  Além desses cinco pontos, o professor é enviado como profeta para evangelizar e ser mestre, pastoreando em um campo missionário. Agora desejo ser estrito aos cristãos. Há algum tempo escrevi em minha rede social: "Todo professor cristão responde a um ministério pastoral, público e não denominacional, católico e apostólico.
Pastoreia ovelhas que não "são suas" (nenhuma é na verdade de ninguém a não ser de Cristo). Algumas não sabem que são ovelhas, outras não querem ser ovelhas, outras ainda são ovelhas que o ajudam em sua tarefa e o fazem crescer como professor, cristão e pessoa.
  Todo professor cristão é um missionário, um evangelista, um profeta, um pastor além de mestre.
  Aquele que dedicar ao ensino terá em suas mãos a tarefa mais difícil que já teve. Revelar a Cristo por sua vida, pregar o evangelho com suas ações, ser sal e luz no seu trabalho, e tudo isso muitos vezes sem mencionar com a boca nenhuma palavra para não ser taxado de religioso e até perseguido. Sem dúvida que não damos conta aos homens, mas a Deus, e não devemos negar a Cristo diante de ninguém, contudo, as vezes para pregar o evangelho precisamos usar de estratégias que não fechem as portas para nossa tarefa.
  Todo todo professor cristão dará conta diante de Deus por cada aluno que lhe foi confiado. Semeie, essa é sua tarefa professor cristão, mesmo que você não veja o resultado da colheita nem o crescimento da sua plantação".
  Foi a Francisco de Assis que atribuíram a frase: "Pregue o evangelho, se necessário use palavras", bem como parafraseando Spurgeon que diz que "todo cristão é um missionário ou um impostor" eu digo que "todo Professor Cristão é um missionário ou um impostor", pregar a Cristo nas atitudes mais do que no dizer é a forma como todo cristão deve fazer, especialmente o professor.
  Há quem pense, "não são todos assim", há péssimos professores, mas ser professor é um dom, um ministério dado por Deus, e não é restrito, infelizmente os profissionais da educação também se achegam, olham nosso trabalho como um "bico", realizam um mal serviço e vão embora. Não se preocupe, os professores ainda prevalecem.
  Desejo a todos meus colegas professores, um feliz dia, mesmo que não sejamos tão valorizados assim pelas pessoas, mas lembre-se que o trabalho para o Senhor não é vão, e o ser professor é doar a sua vida ppelos outros, assim como Cristo doou a Sua vida por nós. Seja reflexo de Cristo.

Em Cristo,
Professor Rogério Penna.

Soli Deo Gloria.

domingo, 20 de agosto de 2017

Sobre o ensino de filosofia - minha resposta

Estou fazendo um curso de especialização em Filosofia e na avaliação do módulo que finalizo hoje perguntaram:

"Comente a tese exposta a seguir. Você deverá apresentar razões para sustentar seu ponto de vista: 

`O ensino de Filosofia deve poder instrumentalizar o sujeito para que estabeleça territórios de fuga da padronização imposta culturalmente. Para que isso ocorra é necessário pensarmos o espaço de ensino aprendizagem como o espaço da divergência, da desestabilização, do confronto que pretende o consenso e não a unanimidade, o heterogênio e não o homogênio`. (Oliveira, Gallina, 2006, p. 189)"
Eu então respondo o seguinte:

"É importante perceber que a Filosofia dá os instrumentos ou ferramentas intelectuais para que a pessoa seja capaz de pensar e agir. O pensar e agir autônomo é até desejado, mas impossível, haja vista a influência teórica. É como afirmar a neutralidade da ciência, impossível visto que o cientista sempre falará a partir do seu referencial, seus valos, crenças, e isso é bom, mas há a necessidade de sermos honestos em nossa proposta, deixando claro que carregamos certa ideologia, invés da comumente mentira de nós fizermos neutros ou sem ideologias. Essa mentira é latente entre os "intelectuais" - em sua maioria, pelo menos aqui no Brasil. Assumir uma ideologia não é crime, mas sem mentiroso quanto ao assumir isso é vergonhoso.
Nesse sentido, o que temos no ensino da filosofia no Brasil é uma imposição ideológica, e não o ensino livre do filosofar, onde é preciso ser a favor de dada ideologia (política, social, organizacional, seja qual for). Logo as pessoas acabam por apresentar argumentos decorados, que apenas reproduzem com a falsa sensação de ter se refletido sobre eles, é o pior é não aceitar que alguém discorde e lhe mostre que seu argumento é falho. Posiciona-se como acima dos outros, o autor da solução - que não é dele é bem deu certo com o autor original.
Por exemplo, reproduzem Marx, Gramsci e Paulo Freire como se tivessem solucionado o problema do mundo, mas são um visão parcial e ideologicamente constituída. Usam jargões de suas ideologias, e não permitem que seja ensinado o outro lado, apresentando apenas uma face da realidade filosófica em debate. Desse modo, a Filosofia jamais será instrumento para o uso das faculdades intelectuais, mas mantenedora de discursos. Quando se assume que está defendendo um ponto de vista a partir de uma ideologia, o contraponto é possível, é mais honesto, é o diálogo, mesmo que nunca se concorde, é muito mais saudável e filosófico".

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Semana de Estudos Avançados - Ciência e Fé Cristã

No mês de julho, especificamente entre os dias 21 a 25, estive na cidade de Petrópolis- RJ. Na ocasião, participei da II Semana de Estudos Avançados, promovida pela Associação Brasileira de Cristãos na Ciência (ABC²), essa semana de estudos visava refletir sobre as ciências da natureza (Física, Química, Biologia), inclusive engenharia e tecnologia e sua relação com a Fé Cristã, de um ponto de vista Protestante Reformado.

Nossos professores foram profissionais das áreas de Física, Química, Biologia, Engenharia, Filosofia e Teologia. O participantes das mais diferentes áreas do conhecimento, estudantes de Administração, Medicina, Engenharia, e profissionais já formados em Filosofia, Geologia, Língua Portuguesa, Odontologia, Biologia, Matemática, Economia dentre outras que não me lembro.

Foi um tempo muito proveitoso de estudo intensivo e intenso sobre esses conhecimentos e sua relação com a fé. O curioso foi perceber que, mesmo eu pensando não haver separação entre ciência ou razão e fé, eu não sabia como ser claro na minha exposição. Contudo, pude perceber mais notadamente que aquele jargão do senso comum de que "todo cientista é ateu" é falso, eu já sabia dessa verdade e conhecia alguns nomes, no entanto, são muito mais do que eu imaginava.

Pesquisadores com nível acadêmico de doutorado e pós doutorado, debruçados sobre a ciência, em estudos acadêmicos sérios, em pesquisa em laboratórios de ultima geração, em observação cósmica com esquipamentos potentes, mas nem isso os fez deixar de crer na fé cristã, e muito pelo contrário, alguns que passaram do ateísmo a uma conversão genuína ao cristianismo, justamente por conta das observações que fizeram em seus estudos e experimentos.

Também pude ver que "existe vida inteligente no protestantismo brasileiro", ou seja, pessoas comprometidas com a fé, ao mesmo tempo comprometidos seu trabalho científico, o melhor disso tudo, sem dicotomizar "vida secular" da "vida religiosa". Não, tudo é "vida cristã", e ele envolve todas as esferas da vida do crente. sendo possível e compatível ser cristão e ser cientista, sem precisar ter uma vida religiosa aos fins de semana, mas precisar de um "ateísmo acadêmico" ou "ateísmo profissional" para fazer ciência.

Acredito que a coisa mais controversa que aprendi foi que, há cristãos que afirmam cientificamente o "Big Bang" e a "teoria da evolução", sem dúvida que dentro do ponto de vista cristão, e se eu compreendi direito, afirma que Deus é o autor desses eventos, ao mesmo tempo que é um Deus pessoal e relacional para com sua criação, não a deixou ao acaso, mas o ordenador de todos os eventos. É certo que essa minha definição é muito reducionista do que de fato esses cientistas cristãos afirmam, é apenas minha compreensão resumida e superficial, e que pode causar estranheza em você, e claro, não afirma que "viemos dos macacos", apesar de também sermos fruto de um processo de micro e macro evolução do universo como um todo.

Não espero que você concorde, nem seja tacanho e pré-conceituoso em afirmar que esses são falsos cristãos, pois não são. Sobretudo porque tem uma vida cristã mais devotada ao seu chamado como cristãos do que muitos dos que se nominam cristãos hoje em dia. No entanto, nos faz perceber que é perfeitamente possível pois a revelação de Deus nas Sagradas Escrituras, não tem obrigação de confirmar as descobertas científicas, nem mesmo as descobertas da ciência tem obrigação de se encaixar no relato bíblico. Pois as escrituras cumprem uma função e prepósito para deus na vida dos seres humanos, enquanto as ciências tem outra função e propósito, mesmo que no fim, as duas revelam a Deus, seja pela obra criada,seja pela Palavra ensinada.

Meu intento próximo é realizarmos aqui em minha cidade - Pindamonhangaba-SP - um seminário sobre o assunto, e assim, avançarmos nessa discussão de como toda ciência glorifica a Deus e como ela serve aos propósitos estabelecidos desde antes da criação de todas as coisas. Se você quiser saber mais, recomento que busque o site da ABC², leia e se informe sobre eles me escreva, podemos marcar um café e termos uma boa conversa sobre suas dúvidas.

Satisfeito e muito feliz de ter participado desse evento.

Professor Rogério Penna 



domingo, 2 de julho de 2017

Sobre o jovem tatuado

Gostaria de refletir com vocês sobre toda situação que envolve o jovem tatuado na testa em São Bernardo do Campo-SP. Não quero defende-lo nem irei acusa-lo, mas observemos do ponto de vista filosófico as várias questões que envolvem o fato.
 Primeiro precisamos pensar o que significa justiça, e pessoalmente nunca li essa atitude do tatuadores, defendida por filósofo algum, é certo que por um tempo na história a tatuagem foi usada para marcar criminosos condenados a morte, mas não era em suas testas. Justiça é um conceito bem diferente do que se entende por “fazer justiça com a as próprias mãos”, esse ultimo é vingança, e não justiça.
 A justiça trata-se da avaliação e julgamento equitativo das ações, ou seja equilibrado, além de ser imparcial. O que temos vistos é uma série de ações vingativas das pessoas em relações aos que se supõem criminosos.
 Outra coisa a se pensar é sobre o conceito de pessoa e tudo que o envolve, no caso, a dignidade da pessoa humana, tão defendida pelos representantes dos “Direitos Humanos”. O jovem, mesmo que tenha cometido o crime do qual foi acusado, deve ter sua dignidade respeitada, assim como os agressores, também devem tê-la, além de serem tratados com justiça e não uma pena maior, apenas por pressão dos ativistas.
 Por que falar sobre dignidade humana? Vi que alguns ditos cristãos tem se mostrado a favor dos tatuadores, e isso é completamente diferente do que o cristianismo ensina, haja vista que foi ele mesmo que cunhou os conceitos de pessoa e dignidade humana, além de desconhecerem a noção de imago Dei, que atribui a toda pessoa ser criada a “imagem de Deus”.
 Temos um problema de ordem ética e política, estamos em estado de desordem, sim, desordem. O judiciário e o parlamento estão desacreditados, essa situação vem refletindo nas ações dos cidadãos, levam pessoas a agirem como quem tatuou ou quem acorrentou outro jovem (lembrando do menino acorrentado no Rio de Janeiro). Por isso desordem, pois a ordem social desacreditada é desobedecida em níveis extremos e não se tratam da boa desobediência civil, que se trata da desobediência aos abusos do Estado.
 Além do sistema judiciário desacreditado, temos um sistema carcerário que também não cumpre seu papel de correção e reinserção da pessoa na sociedade, por certo que é necessária a vontade do individuo em mudar, mas a demanda econômica e política sufocante que não ajudam os menos favorecidos, aliado a glamorização e romantização da vida no crime, sem falar na impunidade contra crimes de qualquer ordem, são o fundamento para a situação terminal que se encontra nossa nação.
 Como já disse, não estou defendendo ou acusando nenhum dos envolvidos, mas se pararmos para pensar um pouco mais veremos que não se resolvem os problemas sociais e criminais de maneira simplista como tatuar a testa de “criminosos”, esse fato apenas revela o quanto estamos degradados. Percebo a ideia da filósofa Hanna Arendt, sobre a “banalidade do mal” muito presente nas palavras das pessoas em conversas e nas redes sociais.
O fato revela nossa responsabilidade enquanto cidadãos que elegem o parlamento e o executivo em todos os níveis, bem como a responsabilidade de fiscalizar as ações dos parlamentares, protestar e reivindicar o bom uso do dinheiro público, rompermos a barreira do “não adianta, político é tudo igual” como diz-se popularmente. Ou assumimos nossa responsabilidade sobre consequências das escolhas que fazemos ou não adiantará reclamar de nada, nem de ninguém.
Que tal refletirmos sobre esses pontos?
Os convido para nos acompanhar no Facebook em nossa “Pensar Juntos Filosofia”, em nosso Café Filosófico mensal ou entre em contato pelo WhatsApp para mais informações (12) 98229-3143.

  Rogério Penna
Junho de 2017

*Texto originalmente​ publicado no Jornal Vale Vivo, de circulação na região do Vale do Paraíba no estado de São Paulo, publicado no dia 22/06/2017

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Pensar Juntos Filosofia – Série Política*


Somos gratos pela oportunidade de escrever e falar sobre aquilo que nos é caro, a Filosofia, e convidamos você – leitor – a fazer parte conosco desse desejo de "Pensar Juntos Filosofia". Hoje, vamos pensar um pouco mais sobre uma das áreas da reflexão filosófica, a Política.
Diante do cenário político atual do Brasil, todos os escândalos envolvendo autoridades e empresários, cabe-nos perguntar:
Será mesmo que os fins justificam os meios?
Mesmo que o filósofo italiano, Nicolau Maquiavel, jamais tenha proferido tão célebre frase, que se tornou usual em todos os meios e cantos, muitos se referem a ela como "citação" maquiavélica (repita-se, jamais dita por ele); contudo, é possível encontrar uma interpretação aproximada a essa ideia, o que possivelmente fez com que lhe atribuissem o dito.
A visão consequencialista da ética de Maquiavel (1469-1527) implica reconhecer que a natureza humana, não podendo ser refreada, leva a reprodução de atos, de modo que as histórias se repetem ao longo do tempo, fazendo com que a intenção de seguir os passos dos grandes governantes já faz daquele que governa um grande homem. Para Maquiavel, a ação política não deve conter um peso moral em si mesma, sendo que matar alguém pode ser bom ou ruim dependendo da causa pela qual se mata, separando, assim, a ética da política. É importante salientar que o filósofo não ensina esse comportamento, mas constata e expõe o que a política é, sem romantizá-la.
Consoante escólio do Prof. Ms Emerson Ferreira da Rocha, política pode ser compreendida como “ação simbólica dos seres humanos na defesa dos interesses públicos ou privados”, o que, segundo Maquiavel, tornaria perfeitamente compreensível qualquer desvio de comportamento, posto que ação humana, nada diferente disto pode-se esperar do político, humano que é, levado a fazer e pensar política no que ela é e não como deveria ser, como já dissemos, sem que com isto esteja afirmando não existirem pessoas sérias, comprometidas a fazer o bem na política.
Por outro lado, para se governar é preciso capacidade e sorte. Aquele que chega ao poder com certo esforço e alguma capacidade, com pouca sorte, terá melhores chances de permanecer; do contrário, quem com certa fortuna e pouca capacidade alcança o poder, necessitará de grande esforço para manter-se nele.
Temos como exemplo os escândalos do presidente dos EUA​ Jim Carter que, na década de 1990, não teve sorte em seu governo, sucedido de vários escândalos e crises política e diplomática. Atualmente, o governo do presidente Michel Temer, que sucedeu a ex-presidente Dilma, impeachmada da função de presidente da nação, do mesmo modo é recheado de problemas e crises institucionais, política econômica.
De qualquer modo, quem governa deve estar preparado para se indispor com alguns grupos ou com pessoas, além de ser traído por seus governados; um homem de personalidade fraca não poderia, em tese, nunca subir ao poder na visão de Maquiavel. Entre ser respeitado ou temido, é preferível os dois, mas como nem sempre isso é possível, melhor é ser temido, o que a exemplo do temor que se têm a Deus, não significa que seja Ele por nós odiado.
A partir dessa pequena reflexão, somos desejosos que você observe, pare e pense sobre como vemos e pensamos a política, além de como esperamos que ela seja. Você seria capaz de pensar uma solução para a pergunta feita no início?
Aproveitamos para convidá-lo a participar conosco de nosso Café Filosófico mensal. Para mais informações, basta acessar o seu Facebook e buscar nossa página "Pensar Juntos Filosofia" e acompanhar nossas publicações ou pelo Whatsapp (12) 9 8229-3143. Você é nosso convidado.

Rogério Penna
Juliano Modesto

Maio, 2017

*Texto publicado no Jornal Vale Vivo, de distribuição gratuita no Vale do Paraíba - SP

sexta-feira, 28 de abril de 2017

28 de abril de 2017


Convocaram uma greve geral, há reinvidicações contra a reforma da previdência e trabalhista.
Particularmente a trabalhista nem me incomoda tanto, mas é preciso estar atento a pontos importantes.

Já a reforma da previdência é um ultraje. Você trabalha 30 anos e não pode usufruir dos benefícios do SEU suor e esforço? Não, foi preciso mudar a idade com FHC e agora querem mais anos. Imagina um jovem que por sorte, ou competência mesmo, com 18 anos é empregado e não perde seu emprego ou passa em um concurso público. Não poderá se aposentar com 48 anos de idade, 30 anos de contribuição, precisa esperar a idade para receber integralmente.
A lei se mudar, ele aposentará com quase 50 anos de contribuição. Um absurdo.

Está faltando dinheiro na previdência dizem. OK, vamos listar algumas coisas que podem ajudar.

- Parar de roubar o dinheiro do pagador de impostos, vai sobrar e pode ser investido na previdência.
- o dinheiro da previdência ser só para a previdência, atualmente a "seguridade social" come esse dinheiro.
- diminuir os gatos públicos: sem regalias como cartão corporativo, passagens pagar pelo erário, carro oficial, combustível pago pelo erário, residenciais oficiais para parlamentares.
- diminuir o número de deputados federais em 1/3, seus salários e as verbas de gabinete.
- não financiar sindicatos, partidos ou ONGs que não visam o trabalho social com pobres, órfãos, desabrigados e famintos.
- não roubar (acho que já disse isso).

Essas são algumas medidas que sem dúvida irão mudar muitas coisas além das previdência. Sou de uma visão política de direita, mas não sou idiota. Hoje engrosso a população paralisada, sem ideias partidários, sem apoiar sindicatos pelegos, sem gritar palavras​ de "ordem imbecis" da massa homogênea da esquerda raivosa. Não sou a favor de greve, sou contra inclusive, mas hoje não tem jeito, lembro que greve não é coisa de vagabundo, mesmo que vagabundos façam e até organizem greves.

Esse assunto é sério, e junto com a lei a ser votada sobre "abuso de autoridade", são uma perda lastimável se passarem no congresso. Está na hora da desobediência civil, sem violência ou quebradeira, mas democracia significa literalmente "governo do povo" e república é o "governo por representantes", então penso que passou muito da hora do povo mostrar sua força de governo e pressionar seus representantes a fazer o que interessa ao povo, não há alguns. O ideal coletivo da Filosofia Clássica não é socialismo, é eqüidade. Gosto sempre de lembrar que igualdade não é sinônimo de justiça, nem são parentes próximas, outra coisa é "justiça social" e socialismo, coisas bem distantes que essas reformas não contribuirão para acontecer.

Sou contra essa reforma da previdência, sou contra até a previdência, mas isso fica pra outro dia.
#GreveGeral #EssaReformaDaPrevidênciaNão

quarta-feira, 15 de março de 2017

Você é nosso convidado para dia 18/03/2017, participar conosco de um delicioso Café Filosófico. Teremos uma fala do Professor Rogério Penna sobre "Responsabilidade individual", claro que sua participação é de extrema necessidade para juntos, pensarmos e discutirmos sobre Filosofia.
Gentilmente o Crepe das Artes será nosso nosso parceiro, irá nos ceder o espaço gostoso que eles possuem, além disso, você poderá se servir das delícias oferecidas pela creperia mais deliciosa da cidade.
Venha discutir conosco esse tema, vamos realmente PENSAR JUNTOS FILOSOFIA.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Lições aos meu alunos II - Qualidade do trabalho manuscrito

A escrita sem ruídos de comunicação

                Normalmente os trabalhos escolares são impressos, facilita muito a vida de quem faz, contudo, eu sou amante da escrita à mão. Sempre que vou esboçar um texto, recorro ao meu caderno, ao lápis ou à caneta. Inclusive existe um estudo que afirma ser muito bom para fixar o conhecimento, a boa e velha caneta e papel[1]. Não apenas por essa razão, particularmente não sabia desse estudo quando comecei a cobrar de meus alunos trabalhos manuscritos, assumi como forma de trabalho, a pesquisa de temas da minha aula (Filosofia), que deveriam ser feitos à mão e entregues.
O meu objetivo é que haja a leitura do texto a ser pesquisado e, a partir disso, observe-se os pontos pedidos para serem pesquisados, faça a síntese das ideias necessárias, e desenvolva sua escrita, redigindo assim seu trabalho de pesquisa. Desenvolvendo sua habilidade leitora, de identificar ideias de um texto, de observar as ideias relevantes, de desenvolver uma síntese e finalmente expressá-la desenvolvendo finalmente sua habilidade escritora.
Pensando nisso, é preciso atentar para alguns pontos. E vou falar aqui sobre dois apenas: a grafia e a gramática.
Devemos ter todo cuidado e zelo para escrever um trabalho, uma redação, um texto qualquer à mão. A grafia ruim é um grande impedimento para a leitura e compreensão de um texto. O “garrancho”, atrapalha o entendimento e a identificação dos objetivos de pesquisa ou do texto que se pretende escrever e apresentar.
Caso não seja compreensível a leitura, não será possível uma avaliação justa da produção, seja pesquisa ou redação. A não compreensão de algum ponto contará contra o escritor, pois sua capacidade de se comunicar com o leitor está difícil, “embaçada” pode-se dizer, tal qual um espelho no banheiro cheio de vapor do banho, mesmo passando um pano ou mão no espelho e tentando tirar o que atrapalha, não fica perfeito. Esse ruído na comunicação deve ser evitado por completo entre escritor e leitor.
Outro complicador é a gramática, escrever errado como, por exemplo, não conjugar verbos, não usar plural, pronomes, substantivos e adjetivos usados indevidamente ou escritos da forma errada, por atrapalhar um bom texto e uma boa pesquisa.
Sugiro como solução para a grafia ruim, o treino da escrita em um caderno de caligrafia ou simplesmente o cuidado na hora de escrever, fazendo-o com calma e caprichado.
Já para os erros gramaticais, sugiro além do estudo da norma culta da língua, a constante leitura, livros, revistas de qualidade, textos em sites e blogs que não só informem, mas também formem o leitor, histórias em quadrinhos, desde a mais tenra idade.
Essas sugestões, creio eu, não só irão melhorar sua escrita, gramatical e esteticamente, como também será excelente suporte para escrever redações, textos informativos no trabalho ou em casa (orientando alguém sobre algo). Permitirão que você se expresse com clareza e objetividade, além de uma boa nota em sua atividade escolar.
Que lhe seja de proveito.

Professor Rogério Penna - Filosofia




[1] Confira reportagem sobre o assunto: http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2014/07/1482537-escrita-a-mao-ajuda-a-fixar-mais-dados-apontam-estudos.shtml

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Lições aos meu alunos I - Formatação de Trabalho de Pesquisa

Estruturando o trabalho de pesquisa - Formatação

Como professor de Filosofia na Rede Pública do Estado de São Paulo, percebi a necessidade de trabalhar com os alunos algumas noções que não são aprendidas por eles e que deveriam ser ensinadas por alguém. Decide que eu mesmo seria essa pessoa, tendo em vista os trabalhos que recebi, muitos eram trabalhos desorganizados e desconexos com aquilo que foi proposto como objetivo de pesquisa. Elenquei alguns pontos e desejo fazer minhas considerações, mediante a experiência na universidade, como monitor da disciplina de metodologia científica por dois anos, além do treino (e não deixa de ser) para pesquisar Filosofia. Serão algumas noções bem básicas, sem fidelidade para com a ABNT, apenas para organização do trabalho.


- CAPA: ela deve conter o nome completo do aluno, sua série e o sua classe, além disso, deve apresentar o tema proposto e não o nome da disciplina, por exemplo, “Biografia de Tales de Mileto” invés de “Trabalho de Filosofia”.

- INTRODUÇÃO: ela deve ser produzida depois de toda pesquisa concluída, mas por quê? Porque ele será a apresentação do conteúdo da pesquisa, não é um resumo do trabalho, mas aquilo que indica ao leitor o que ele encontrará e os objetivos do trabalho.

- CONTEÚDO: deve conter aquilo que foi pedido pelo professor, “encher lingüiça” – expressão que indica perda de tempo ou enrolação – para dar volume ao trabalho, não garante nota, ainda pode significar a perda ou diminuição dela. Se lhe foi pedido para pesquisar o “contexto” de algum evento ou filósofo, suas “principais ideias”, ou ainda suas “influências”, faça isso, não coloque outras coisas em sua pesquisa que não foram pedidas pelo professor. Para isso não tenha preguiça e LEIA o que encontrou durante sua pesquisa, além do mais, não deixe para a última hora.

- CONCLUSÃO: caso ela lhe seja pedida, a conclusão de um trabalho, mais uma vez, não é o resumo do trabalho, mas é o entendimento das ideias pesquisadas e suas consequências e implicações na sociedade e na história.

- REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA: também chamamos de BIBLIOGRAFIA ou ainda de FONTES DE PESQUISA, as vezes simplesmente de FONTES. Ela serve para indicar os locais de pesquisa, obras e autores utilizados na produção daquele trabalho. São imprescindíveis em qualquer produção textual de cunho pesquisa, pois o autor do trabalho não é o inventor ou criador dos conceitos pesquisados. Esses conceitos foram elaborados por outros e devem ter respeitada sua propriedade intelectual. Copiar suas ideais sem indicá-las é crime de plágio. Quando livros, devem indicar o nome do autor e da obra, sua edição e ano, a editora, além disso, as páginas utilizadas para pesquisa quando o caso de utilização parcial do referido texto. Para sites, indica-se o link da página onde se encontrou o texto, sem esquecer o nome do autor do texto em questão, se houver a indicação na publicação.


Essas são algumas recomendações, nada fechado ou como ultima palavra, mas pode usado em qualquer trabalho de pesquisa básico, em qualquer disciplina, não necessariamente apenas nos trabalhos de Filosofia. Não se envergonhe em questionar, caso tenha alguma dúvida pergunte, me escreva, responderei a você leitor caso tenha qualquer dúvida sobre este conteúdo ou outro.



Professor Rogério Penna - Filosofia