terça-feira, 17 de abril de 2018

Filosofia e a pesquisa da reportagem da Folha de São Paulo


O Brasil realmente é um país hilário. Jornalistas formados por correspondência, que mancham o jornalismo de verdade feito no Brasil, e olha que atualmente é muito escasso.
Mais uma vez, na contra mão do resto do mundo, "pesquisadores" brasileiros chegaram a brilhante conclusão que Filosofia e Sociologia, por serem obrigatórias, atrapalharam alunos a aprender Matemática.
Eles são muito brilhantes e conseguiram refutar mais de 2.500 anos de História da Filosofia. Afinal, o matemático Tales de Mileto e Pitágoras, não eram antes de tudo os precursores da Filosofia. Platão não considerava a Matemática como o único nível abaixo da Filosofia, Aristóteles e a lógica também não tem nenhuma relação com o pensar matemático, os medievais então, construindo sistemas lógicos e modelos do cosmos. Quem dirá Descartes e Pascal, Leibniz, na modernidade, só para dizer dois, Frege e Wittgenstein, esse último um matemático que certamente emburreceu.
Enquanto Matthew Lippmann construía um sistema, um método para ensinar crianças a Filosofia, pois, como professor universitário viu seus alunos incapazes de pensar logicamente e construir argumentos consistentes, corroborado por uma pesquisa feita no Reino Unido, comparando crianças que aprenderam Filosofia e Matemática com crianças sem Filosofia e apenas Matemática, no qual as primeiras tiveram melhor resultado que as últimas, só no Brasil aconteceu o contrário, só aqui foi ruim para os alunos.
Quem dirá então sucesso da série "Merli", da Netflix, que retrata a em cada episódio a atuação de um professor de filosofia e ensina de verdade, sem diluição da disciplina, conceitos e ideias de filósofos e escolas filosóficas.
Não gosto de usar aquele discurso que parece sindical, mas não querem mesmo que se pense no Brasil. Ainda há uma mentalidade de formar gente que repita ações, sem pensar sobre elas. Gente que vive na obscuridade intelectual, a margem da razão, da discussão de ideias.
Tive a sorte de ter um pai que me instigou a curiosidade e um capital intelectual rejeitado por muitos. Apesar de não ter concluído o Ensino Fundamental, era curioso e leitor compulsivo, só o vi rejeitar a leitura uma vez, quando eu na universidade comprei um livro e ele tentou ler, depois de ler umas 50 páginas ele veio e me entregou dizendo que aquele ele não conseguiu entender, eu nem havia visto meu pai pegar o livro. Apesar disso, ele foi curioso.
Que importa? Os exímios pesquisadores resolveram uma questão muito difícil, e como disse, desconstruíram 2.500 anos de História.
O que me assusta é ver um suposto filósofo, Renato Janine Ribeiro, assinar o texto da reforma que tira a Filosofia do Ensino Médio, um sofista moderno que só lhe interessa o dinheiro? Que a história o diga.
Deixo aqui quatro links, os dois primeiros sobre pesquisas em relação à Filosofia, o terceiro um texto da ANPOF e por último uma pesquisa de opinião feita pelo Senado sobre a permanência da Filosofia e da Sociologia.


http://www.gazetadopovo.com.br/educacao/filosofia-ajuda-a-aprender-melhor-matematica-e-linguagens-diz-estudo-664gv9skcaqt1fhhlousa4mgq



https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2016/03/estudar-filosofia-faz-com-que-o-desempenho-escolar-das-criancas-melhore-sugere-pesquisa.html



http://www.anpof.org/portal/index.php/pt-BR/artigos-em-destaque/1576-pela-obrigatoriedade-das-disciplinas-de-filosofia-e-sociologia-no-ensino-medio



https://www12.senado.leg.br/ecidadania/visualizacaoideia?id=103041&voto=favor

domingo, 15 de outubro de 2017

Reflexões de um professor sobre o papel do professor!

  15 de outubro, dia que no Brasil comemoramos o Dia dos Professores. Já são dez anos nessa profissão que não é apenas minha ocupação, mas que me define. Quem sou e por que sou. São dez anos que leciono Filosofia para adolescentes, nesse tempo, alguns ombreiam comigo as fileiras escolares atualmente, outros são bancários, médicos, advogados, engenheiros, polícias, militares das forças armadas, metalúrgicos, comerciantes e comerciários, meus ex alunos estão em todas as áreas e lugares dentro e fora do país; outros infelizmente já morreram, outros presos por optarem uma vida de criminalidade mesmo depois de inúmeros conselhos.
  Este ano, que completo meu decálogo no magistério, paro para refletir e fazer um balanço de minha vida profissional, da minha postura como professor, nem sempre tão ilibada como eu gostaria, afinal, sempre falhamos e, sinceramente, como vejo hoje minha função, não é como a via no início, mesmo por que, hoje minhas lentes para a educação se dão por meio da minha fé em Cristo, é quero aqui me expressar levando em conta que sou um professor cristão. No mais, posso afirmar que a idade nos faz maduros de fato, dadas as raras exceções, o tempo é o melhor professor.
  Como eu já disse e é do conhecimento de todos os meus colegas e alunos que sou cristão, protestante, Anglicano, ativo em minha igreja local e, isso sem dúvida molda meu professorado como eu já escrevi. Há algum tempo eu escrevi que via a profissão de professor como a única que continha os cinco dons ou ministérios dados por Deus a Sua Igreja, quais sejam: apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres (Efésios 4:11). Desejo refletir com vocês esses pontos e o que representam pra mim como professor de modo geral, para aqueles que também não são cristãos e depois de como cristão percebo esses ministérios para o professor cristão.
-Mestres: começar pelo último é simples, pois é óbvia a missão do "mestre", disse óbvia, não bque seja fácil. Ser mestre é dedicar-se ao ensino, participar da formação acadêmica e formal de alguém, é ser o pedagogo, ou seja, o guia, mostrar caminhos a seguir, os prós e contras destes, permitindo que educando pense e escolha  o melhor caminho que ele pensar seguir. De outra sorte, seria terrível trilhar caminhos desconhecidos, mesmo que por vezes nos aventuramos a isso, nos custa tempo e energia empregados na "tentativa e erro" até o resultado satisfatório.
-Apóstolos: a palavra "apóstolo" significa "enviado". O professor é enviado à uma tarefa difícil, talvez a mais difícil, passar adiante o conhecimento adquirido ao longo da história da humanidade. No entanto, não só isso, o professor é enviado a formar pessoas, futuros pais e mães, líderes, governantes, cidadãos que tem como papel construir uma sociedade melhor que de seus antecessores. Ele é enviado a lugares as vezes esquecidos, a margem de outros, pessoas excluídas por alguma razão, para educar nas prisões de adolescentes e adultos. Enviado a ensinar em lugares as vezes sem prédio, onde o teto é a copa das árvores e, as paredes, os limites do horizonte que se enxerga. Longe o bastante de suas casas, com condições miseráveis em inúmeros casos. Desejamos ser enviados apenas aos mais belos lugares, mas que de árduo há nesse trabalho? Há valor nessa facilidade? Quem sabe, talvez não haja. Não em relação ao trabalho de ser professor, mas em desejar apenas o melhor lugar supostamente sem problemas.
-Profetas: o profeta era alguém incumbido com a missão de mostrar as falhas do povo e indicar-lhes o caminho para que invés de juízo e condenação, houvesse arrependimento e benção sobre determinado povo. O professor é aquele que tem a incumbência de alertar as gerações vindouras dos erros do passado e clamar para que tais caminhos não sejam novamente trilhados. Indicar possíveis melhores caminhos e estimular imaginar novas rotas. Pois no juízo de uma escolha ruim é tão inevitável quanto a benção da escolha bem feita.
  Como o profeta, ele não se cala diante das injustiças cometidas ou sofridas por seus concidadãos. Ele se posiciona a favor do bem de todos e não aceita o benefício próprio enquanto outros sofrem. Ele tira as pessoas da ignorância, leva-as a outro patamar, do conhecer para melhorar, mudando e vencendo.
-Evangelista: a palavra "evangelho" significa "boa notícia", "boa nova". O professor deve levar a boa nova do saber, do conhecimento, da alegria de não estar acorrentado a ignorância é a incapacidade de agir por não saber ou não conhecer, as vezes sequer se sabe estar na condição de escravidão, acorrentado a uma ideia não refletida, não estando ligado voluntariamente, após deliberação e racionalização de um saber, pois esse lhe foi relegado.
  Quão boa notícia poder pensar sobre uma questão que se apresenta e necessita de debate e apreciação racional! Que maravilhosa notícia poder pensar sobre o que ouviu e deliberar sobre concordar ou não com o opositor de suas ideias! Que boa nova poder dizer "eu penso quê"!
-Pastores: já parou para pensar no significado do pastorear? Ou no que faz o pastor? Certamente que algum mais exagerado dirá que prefiro ovelhas invés de alunos críticos, mas não. As ovelhas são animais frágeis, desatentos, medrosos, beiram ao que chamamos imbecilidade. Os jovens são do mesmo modo, eu já fui jovem e posso afirmar com segurança (sem dúvida), são frágeis e vulneráveis ao que lhe dizem, sem uma opinião bem fundamentada é formada, levado facilmente "na conversa". São desatentos, só olham para o que está diante deles, não olha o todo, nem o antes nem o por vir, são imediatistas e não pensam nas consequências. Medrosos e seu medo de mostra na suposta coragem que os lança a inconsequência e fazer coisas que não faríamos devido a maturidade conseguida pela idade, fazendo coisas que nos olhamos e pensamos "como pôde?". As várias idéias e "modas", tendências e "tribos" e sua incapacidade racional momentânea, deixa-os no meio de uma chuva de argumentos bons e ruins, mas eles acabam escolhendo os que lhes são mais agradáveis, nem sempre pelo uso da razão.
  Pastorear é se colocar no meio disso tudo é assim como o pastor protege, cuida, guarda e alimenta seu rebanho, o professor protege, cuida, guarda e alimenta o intelecto de seus alunos contra ideias desumanas, destrutivas ou autodestrutivas. Protege dos ideais de uma vida fácil por meio da criminalidade, protege de velhas ideias que reproduzidas impedem o pleno desenvolvimento e envolvimento na vida política e social de sua cidade e estado, do país. Alimenta com esperança o desejo de uma vida melhor.
  Além desses cinco pontos, o professor é enviado como profeta para evangelizar e ser mestre, pastoreando em um campo missionário. Agora desejo ser estrito aos cristãos. Há algum tempo escrevi em minha rede social: "Todo professor cristão responde a um ministério pastoral, público e não denominacional, católico e apostólico.
Pastoreia ovelhas que não "são suas" (nenhuma é na verdade de ninguém a não ser de Cristo). Algumas não sabem que são ovelhas, outras não querem ser ovelhas, outras ainda são ovelhas que o ajudam em sua tarefa e o fazem crescer como professor, cristão e pessoa.
  Todo professor cristão é um missionário, um evangelista, um profeta, um pastor além de mestre.
  Aquele que dedicar ao ensino terá em suas mãos a tarefa mais difícil que já teve. Revelar a Cristo por sua vida, pregar o evangelho com suas ações, ser sal e luz no seu trabalho, e tudo isso muitos vezes sem mencionar com a boca nenhuma palavra para não ser taxado de religioso e até perseguido. Sem dúvida que não damos conta aos homens, mas a Deus, e não devemos negar a Cristo diante de ninguém, contudo, as vezes para pregar o evangelho precisamos usar de estratégias que não fechem as portas para nossa tarefa.
  Todo todo professor cristão dará conta diante de Deus por cada aluno que lhe foi confiado. Semeie, essa é sua tarefa professor cristão, mesmo que você não veja o resultado da colheita nem o crescimento da sua plantação".
  Foi a Francisco de Assis que atribuíram a frase: "Pregue o evangelho, se necessário use palavras", bem como parafraseando Spurgeon que diz que "todo cristão é um missionário ou um impostor" eu digo que "todo Professor Cristão é um missionário ou um impostor", pregar a Cristo nas atitudes mais do que no dizer é a forma como todo cristão deve fazer, especialmente o professor.
  Há quem pense, "não são todos assim", há péssimos professores, mas ser professor é um dom, um ministério dado por Deus, e não é restrito, infelizmente os profissionais da educação também se achegam, olham nosso trabalho como um "bico", realizam um mal serviço e vão embora. Não se preocupe, os professores ainda prevalecem.
  Desejo a todos meus colegas professores, um feliz dia, mesmo que não sejamos tão valorizados assim pelas pessoas, mas lembre-se que o trabalho para o Senhor não é vão, e o ser professor é doar a sua vida ppelos outros, assim como Cristo doou a Sua vida por nós. Seja reflexo de Cristo.

Em Cristo,
Professor Rogério Penna.

Soli Deo Gloria.

domingo, 20 de agosto de 2017

Sobre o ensino de filosofia - minha resposta

Estou fazendo um curso de especialização em Filosofia e na avaliação do módulo que finalizo hoje perguntaram:

"Comente a tese exposta a seguir. Você deverá apresentar razões para sustentar seu ponto de vista: 

`O ensino de Filosofia deve poder instrumentalizar o sujeito para que estabeleça territórios de fuga da padronização imposta culturalmente. Para que isso ocorra é necessário pensarmos o espaço de ensino aprendizagem como o espaço da divergência, da desestabilização, do confronto que pretende o consenso e não a unanimidade, o heterogênio e não o homogênio`. (Oliveira, Gallina, 2006, p. 189)"
Eu então respondo o seguinte:

"É importante perceber que a Filosofia dá os instrumentos ou ferramentas intelectuais para que a pessoa seja capaz de pensar e agir. O pensar e agir autônomo é até desejado, mas impossível, haja vista a influência teórica. É como afirmar a neutralidade da ciência, impossível visto que o cientista sempre falará a partir do seu referencial, seus valos, crenças, e isso é bom, mas há a necessidade de sermos honestos em nossa proposta, deixando claro que carregamos certa ideologia, invés da comumente mentira de nós fizermos neutros ou sem ideologias. Essa mentira é latente entre os "intelectuais" - em sua maioria, pelo menos aqui no Brasil. Assumir uma ideologia não é crime, mas sem mentiroso quanto ao assumir isso é vergonhoso.
Nesse sentido, o que temos no ensino da filosofia no Brasil é uma imposição ideológica, e não o ensino livre do filosofar, onde é preciso ser a favor de dada ideologia (política, social, organizacional, seja qual for). Logo as pessoas acabam por apresentar argumentos decorados, que apenas reproduzem com a falsa sensação de ter se refletido sobre eles, é o pior é não aceitar que alguém discorde e lhe mostre que seu argumento é falho. Posiciona-se como acima dos outros, o autor da solução - que não é dele é bem deu certo com o autor original.
Por exemplo, reproduzem Marx, Gramsci e Paulo Freire como se tivessem solucionado o problema do mundo, mas são um visão parcial e ideologicamente constituída. Usam jargões de suas ideologias, e não permitem que seja ensinado o outro lado, apresentando apenas uma face da realidade filosófica em debate. Desse modo, a Filosofia jamais será instrumento para o uso das faculdades intelectuais, mas mantenedora de discursos. Quando se assume que está defendendo um ponto de vista a partir de uma ideologia, o contraponto é possível, é mais honesto, é o diálogo, mesmo que nunca se concorde, é muito mais saudável e filosófico".